Jérôme Jacq
Capítulo 01
História

De onde eu venho.

Trajetória de Jérôme Jacq, consultor em inteligência artificial em Angers, França.

O currículo é um gênero literário. Três colunas, uma linha por cargo, e vinte anos que acabam cabendo em uma folha. É útil, mas não conta nada. Aqui vai a versão longa — a que diz o porquê.

Formação, fundações

Antes

Não cresci pensando que trabalharia com IA. Cresci pensando que faria coisas. Desmontar, entender, montar de novo — isso veio muito cedo, e continua sendo o fio condutor.

Curso preparatório de elite (a classe prépa francesa), depois uma escola de engenharia de software (ENSSAT, 2005). Em seguida, quase dez anos em consultorias de TI escrevendo Java para grandes clientes — Teamlog e depois Thales Services, em projetos para Orange, La Poste, SNCF, Bureau Veritas e MACIF. Aprendi a entregar sob pressão, para sistemas que não têm o direito de cair.

A virada chega em 2014: Scrum Master na Conserto, em um longo projeto no seguro público de saúde francês (Assurance Maladie). Gostei tanto do trabalho de campo que a Cnam me contratou internamente em 2018 — onde me tornei referência de produto e de tecnologia. O ambiente crítico como escola de rigor — ainda é o meu ofício no dia a dia.

O ateliê, em paralelo

A guinada

No fim de 2025, senti a fronteira entre “quem imagina” e “quem programa” ficar porosa. As ferramentas — você sabe quais — derrubaram o custo de experimentar. Tomei uma decisão simples: abrir um ateliê, sem largar nada, e construir.

Não para criar um unicórnio. Para criar objetos que valem por si mesmos. Pequenos, precisos, acabados. O ofício de engenheiro prolongado na era dos LLMs — tocado em paralelo a vinte anos em ambiente crítico.

Dois ateliês, vários projetos

Hoje

Cuido do Tako, uma plataforma que traz a IA conversacional para onde ela é útil: o dia a dia de autônomos e pequenas equipes. E do Lima, uma PWA para atores de teatro de improviso — um produto que não existia e merecia existir.

Entre um e outro, aceito alguns projetos diretos, sem plataforma, sem comissão. Contratos curtos, densos, em que trabalho com quem me contrata — não para ele.

Marcos

Os marcos, em resumo.

  1. 2001
    O preparatório

    Curso preparatório, primeiras noites programando. A curiosidade se instala de vez.

  2. 2005
    Diploma

    Engenheiro de software (ENSSAT). O ofício começa de verdade.

  3. 2005–14
    Grandes clientes

    Quase dez anos em consultorias de TI — Teamlog e depois Thales Services. Java para Orange, La Poste, SNCF, Bureau Veritas e MACIF.

  4. 2014
    Conserto

    Scrum Master em um longo projeto no seguro público de saúde francês. O trabalho de campo conquista.

  5. 2018
    Cnam

    Contratação interna. Referência de produto & tecnologia — até hoje no cargo.

  6. 2025
    A virada para a IA

    OpenClaw: a primeira ferramenta de agentes domada. O ateliê abre, em paralelo ao resto.

  7. 2026
    Tako & Lima

    Dois produtos em operação — a conversa e o improviso, em produção.

  8. Amanhã
    Por escrever

    Algo entre o editorial e o estúdio. A gente conversa no próximo café.

Convicções

No que eu acredito.

Frases curtas que a gente escreve para si mesmo, para não esquecer quando o trabalho acelera. Deixo aqui porque elas enquadram praticamente tudo o que eu faço.

  • Sobre produto

    Um bom produto é um objeto que dá para segurar na mão. Mesmo quando é software.

  • Sobre IA

    Ela é poderosa quando é invisível. É honesta quando diz o que não sabe.

  • Sobre trabalho

    Trabalhar com alguém, não para alguém. Hierarquia curta é uma questão de higiene.

  • Sobre velocidade

    Ir rápido é ir bem. Ir bem é gastar tempo onde importa.

A seguir: os projetos, depois os serviços.